Risoturismo

Turismo em Espaço Rural, Cultura e Lazer

Peças em Destaque

CHOCOLATEIRAS

Século XIX-XX

(Dezembro - Janeiro 2020/21)

(propriedade: col. Augusto Moutinho Borges e Adelaide Nabais)

  • 1 – Chocolateira de Sala                                                                                            Material: latão e madeira, cabo curto                                                                    Dimensões: alt. 33 x larg. 26 x diâm. 15cm                                                            Decoração: lisa, pegas rendilhadas       

(Obs.: dividida em duas partes, base com lamparina, que permitia o chocolate estar sempre quente. Pegas para suporte do recipiente para entornar diretamente nas chávenas chocolateiras)

  • 2 – Chocolateira de uso corrente                                                                              Material: latão e madeira com cabo comprido                                                       Dimensões: alt. 11 x larg. 33 x diâm. 10cm                                                            Decoração: lisa, na madeira motivos canelados a goiva

Em Riba Côa havia o hábito de tomar o chocolate na Noite de Natal, continuando-se esta tradição durante os rigores do inverno. Depois da Missa do Galo este consumo era generalizado às Casas mais abastadas, continuando-se até aos Reis e diluindo-se ao chegar a primavera.

Em Almeida esta tradição manteve-se por influência da proximidade com Espanha, sendo muito ativa em localidades como Malpartida, Vale de la Mula, S. Pedro do Rio Seco, Vilar Formoso, entre outras. Mesmo em Trás-os-Montes constituía-se uma prática comum. Era uma forma de obter calorias e conviver familiarmente, pois servir o chocolate era um ritual muito particular de cada casa.

Há peças para todos os gostos, materiais e dimensões, podendo ser, como os dois exemplares apresentados, para uso de sala e para uso corrente. Neste último caso a chocolateira assentava diretamente numa trempe na lareira, motivo pelo qual o cabo é mais longo do que no primeiro exemplar.

Em Portugal há, pintada numa chávena, uma representação do rei D. João V, século XVIII, a servir o chocolate à sua família e em Espanha, no Museu de Cerâmica de Barcelona, um grande painel chamado “La Chocolatera”, século XVII, onde um escravo mexe o chocolate num recipiente próprio para a sua confeção.

No Solar São João – Casa Memória, estes dois exemplares refletem um dos hábitos locais que o tempo foi esquecendo, preservados neste contexto regional como dos objetos que suscitam curiosidade pelo seu ineditismo nas artes decorativas portuguesas.

CAIXA DE MEDICAMENTOS

SÉCULO XVII

(Novembro 2020)

(propriedade: col. Augusto Moutinho Borges e Adelaide Nabais)

  • Material: madeira de castanho
  • Fechada: alt. 35 x larg. 49 x prof. 37cm
  • Aberta: alt. 59 x larg. 49 x prof. 37cm
  • Ferragens: fechadura e dobradiças em ferro
  • Decoração: motivos canelados a goiva

A Caixa de Medicamentos que se apresenta, original do século XVII com alterações e adaptações posteriores, era transportada pelos oficiais quando se deslocavam nas campanhas bélicas, para as longínquas províncias além-mar, assim como na governação de capitanias, de fortalezas, fortes e expedições.

O exterior canelado, com ferragens de época, foi enriquecido posteriormente com duas barras na base para suspensão da caixa, de forma a não estar em contacto direto com o chão.

O interior foi guarnecido, posteriormente, com uma prancha de madeira com fechadura e dividido em seis espaços, onde se colocaram recipientes em vidro transparente, acastanhado, leitoso com rótulo indicativo do que se transportava e de frascos em grés. Uma caixinha de madeira, com dois frascos de medicamentos e termómetro, enriquece o espólio transportado.

Indispensável nestas caixas era o livro “Manual de Saúde”, edição do século XIX, com indicações médicas e de veterinária, com indicações práticas a aplicar para tratamento dos homens e animais.

Esta peça atesta bem os cuidados e atenções que havia nos transportes e deslocações militares, pois ter um espécime desta qualidade poderia ser a diferença entre a vida e a morte, em províncias longínquas sem acesso a médicos, a boticários e aos cuidados primários de saúde.

Na Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, encontra-se em exposição uma Caixa dos Remédios com maiores dimensões e profusão de frascos.

(Obs. Esta Caixa dos Medicamentos é a peça que tem despertado mais curiosidade aos visitantes).

CARRO DE BOIS

SÉCULO XVII

(Julho - Outubro 2020)

(propriedade: col. Carlos Miguel e Maria José Cavaleiro)

  • Material: madeira de castanho e ferro
  • Dimensões: alt 101cm x larg. 360cm x prof. 43cm
  • Ferragens: barra de suporte para fixar madeira e pregos

Exemplar que chegou aos nossos dias sem eixo e rodado, conservando boa resistência ao tempo. De origem ancestral, já os celtas utilizavam este tipo de carros para transporte, sendo uma peça com funções associadas ao quotidiano mas também como elemento de apoio à defesa. Basta colocar o carro sem rodado a obstruir uma rua ou entrada de pátio ou casa, tornando a passagem mais difícil de entrar.

A sua construção tem como finalidade ser totalmente armado e desarmado sem peças fixas, permitindo ser guardado sem ocupar grande volume, pois muitas vezes havia falta de espaço.

Nos dois laterais são visíveis quatro encaixes redondos para varas de suporte, que definiam o entrelaçado do material de revestimento, normalmente constituído por vimes, o que tornava o veículo mais leve.

A ligar o tronco de carga, onde se colocavam os animais de tração para puxar o carro, um tridente em ferro une as peças de suporte, realizado em elemento único fixado à madeira por pregos de ferreiro.

A base do carro é realizada por cinco grossas tábuas, com a espessura de 14cm cada, contornada por caibros de compressão adaptados à curvatura do veículo.

(Obs.; No Museu de Etnologia de Belém encontra-se um exemplar parecido com este)

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